segunda-feira, 31 de julho de 2017

Infinito Pessoal: o derradeiro poema...

Infinito Pessoal: o derradeiro poema...: O derradeiro poema

Como o poeta também eu quero o meu derradeiro poema
Um poema que acenda as estrelas
Um poema que erga ao vento o seu riso
Que seja amável e exprima as realidades mais espontâneas e menos premeditadas
Que me afaste das punhaladas cegas e enraivecidas
Que seja arrebatador como um suspiro sem pranto
Que tenha a superioridade das flores sem aroma
O ardor dos amantes que se escondem de mão dada
Um poema de pecados imensos
O retrato da pura imensidade
Que seja um jardim aconchegado à minha porta
Um poema que não perturbe a minha caminhada
Um poema que interdite o meu sofrer
Um poema que revogue mágoas no meu embaciado olhar
Um poema que me afaste da melancolia
Um poema que encarne a angustia já purificada
Um poema que me deixe exausto sobre as conchas da praia
mas não me deixe morrer no mar
Um poema que me consinta adormecer sem lágrimas
Um poema que seja a minha última oração
Um poema que seja a minha derradeira canção.

Como um condenado eu clamo um último poema
Um poema que seja um espasmo, uma declaração de amor, uma solidão desfeita
Um poema que me segrede o teu nome
Que seja a cor dos teus olhos
Que me autorize contemplar a tua palidez romântica e lunar
Um cartório que me divorcie da velha dor
e das palavras magoadas
Um poema que não embargue o coração
Um poema que não me diga não
Um poema que seja tudo
e não um desígnio interrompido
Um poema que seja o último desejo
Uma melodia escrita com sangue nos versos
e beijos nas tuas mãos.
Luís Galego

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